Caros amigos e amigas ,
É com muita satisfação que tenho vindo a notar o aumento de seguidores deste blog, que não é mais que uma partilha de toda a minha filosofia de Vida e experiências. Contudo, tenho reparado que muitos me questionam o porquê de “não falar mais especificamente nos ensinamentos do Dharma”.
Bom, para responder a esta questão, temos antes de saber o que é que significa Dharma ou Darma.
Darma ou Dharma significa “Lei Natural” ou “Realidade”. Com respeito ao seu significado espiritual, pode ser considerado como “A Última Realidade das coisas”.
O dharma é a base das filosofias, crenças e práticas que se originaram no subcontinente indiano.
Para muitos seguidores do Yoga na sua Tradição Hinduísta, o Dharma ou Sanata Dharma (que significa a eterna Lei) são os ensinamentos que vêm de textos sagrados antigos. Os mais importantes são os Vedas e os Upanixades. Mas outros importantes são os Tantras, os Ágamas e os Puranas, além dos épicos Mahabharata e Ramayana. O Bhagavadgita, um tratado do Mahabharata, narrado por Krishna, costuma ser definido como um sumário dos ensinamentos espirituais dos Vedas.
Para outras pessoas, o Dharma são os ensinamentos e doutrinas de diversos fundadores de outras Tradições como Buda Siddhartha Gautama no Budismo (conhecido como Sakhyamuni ou Buda) e Mahavira no Jainismo.
O Buda (que significa “o iluminado” ou “o desperto”) Sakhyamuni ou Gautama foi um pesquisador do dharma e nessa procura descobriu as Quatro Nobre Verdades e o Óctuplo Nobre Caminho.
Assim, o Budismo é o nome moderno dado ao Buddha Dharma, a filosofia de vida criada cinco séculos antes de Cristo por Siddharta Gautama, mais conhecido por Buda. Depois de Siddharta Gautama se ter convertido em Buda, viveu quarenta e cinco anos difundindo os seus ensinamentos e a este movimento chamaram Budismo.
Contudo, já houve uma infinidades de Budas (seres iluminados) e nem todos foram budistas, nem ensinaram entre si o mesmo. Cada um descobriu algo diferente do Dharma e transmitiu-o de forma diferente. “Deve-se entender que há tantas formas de budismo, como budas existirão”. Buda não era Budista. E antes de ser Buda, “era simplesmente um seguidor, cultivador e transmissor do Dharma”.
Todos sabem o quanto a filosofia Budista me encanta e sempre me encantou desde tenra idade. Foi aos 16 anos que comecei os meus primeiros passos. E comecei por conhecer as palavras de Buda – do Buda Dharma – em livros e ensinamentos. Contudo, apesar desse encanto nunca ter acabado completamente, esmoreceu… faltava algo.
Não tenho qualquer problema em admitir que muitas vezes adormeci a ouvir esses ensinamentos. Comecei por ouvir o básico: As Quatro Nobres Verdades e o Nobre Caminho Óctuplo, o Caminho do Meio, conceitos como Karma, Samsara, etc…
O caminho Zen também fez parte dessa aventura. Mas via a prática Zazen demasiada rígida para mim. Mas sem dúvida que tem os seus encantos, principalmente no que toca à sua simplicidade. E ainda hoje falo da importância que teve nos meus primeiros passos o livro “No Caminho Aberto” do Mestre Zen Hogen Daido.
Mas tudo esmoreceu de tal maneira, que deixei este caminho por uns anos. E, para ser sincera e olhando bem para trás, essas palavras tão sábias pouco mudaram a minha vida. Talvez mudaram, numa perspectiva intelectual, a forma como via a vida e claro que isso já ajuda… mas o mais importante, a mim própria, pouco mudei… e sinceramente muitas dessas palavras e conceitos já esqueci!
A chama só reacendeu com toda a sua força, quando tive a felicidade de ver nascer no meu caminho dois fenómenos explosivos:
1o – Conhecer o meu Mestre, Tulku Lama Lobsang. A forma como ensina e transmite o Dharma é como uma flecha: certeira e extremamente profunda. Tulku Lobsang ensina o Dharma de uma forma mais individual. Preocupa-se com que o ensinamento seja adequado para o aluno e procura ensinar mais as técnicas e práticas, e não se foca apenas em palavras… Tulku-La diz muitas vezes: “de que me vale falar dos lindos olhos de Buda, se isso não vos vai realmente ajudar na vossa vida diária”. Não que muitos dos ensinamentos não sejam importantes, mas mais porque não estamos preparados para os entender.
E foi assim que comecei a praticar, com todo o meu entusiasmo e dedicação, técnicas de meditação budistas do veículo tantrayana, extremamente eficazes e profundas, que transformaram completamente a minha mente e Vida.
2o – Apaixonar-me pelo Vinyasa Yoga! Esta prática, tornou-se diária, não por obrigação, mas por paixão. O que sinto quando estou a praticar este estilo de Yoga é único e muito intenso!
Estas duas práticas juntas, tornaram-me numa pessoa mais corajosa, determinada e acima de tudo a sentir-me mais livre e feliz! Mudaram completamente a forma como o meu corpo, a minha energia e a minha mente se relaciona com tudo o que me rodeia. Passei a viver a vida com mais alegria e graciosidade.
Por isso, acredito no que alguns Mestres dizem: 99% prática, 1% de teoria!
Mas atenção, no meu entender só faz sentido se for a prática e a teoria correcta!
Acredito que é muito importante lermos e recebermos alguns ensinamentos sobre o Dharma geral. Mas a demasiada intelectualização, pode-se tornar um grande obstáculo no nosso caminho. No meu entender, é importante percebermos certos termos e conceitos, mas a prática é o mais importante.
Observo muito o que me rodeia e vejo muitas pessoas ditas espirituais a ler, estudar e a coleccionar ensinamentos (são uns recordistas!). Mas, no final de contas, o que estiveram apenas a fazer foi a aumentar o maior obstáculo para a Felicidade – o do ego! O de acharmos que encontrámos a Verdade… e que somos mais especiais que os outros.
De que vale conhecermos fluentemente as palavras do Dharma, se não as vivermos, colocarmos verdadeiramente em prática? Para mim, conhecer realmente o Dharma é viver o Dharma!
E na realidade, o que todos os nossos professores e mestres nos têm para ensinar, já o sabemos… é a nossa sabedoria interna. Cabe-nos a nós, apenas recordá-la!
Sei que tenho uma forma diferente de ensinar o Dharma. Tento ensinar através do coração e não da cabeça… para mim não faz sentido de outra forma.
Nunca ouvirão ou lerão grandes tratados filosóficos cheios de palavras caras… ou dissertações muito intelectuais, muito prosaicas. Desculpem, mas não é da minha natureza!
A minha linguagem é a do coração. É a do amor absoluto. Não poderia ser mais simples! Mas para mim, não existe outra. Porque isso é o que somos! E acredito que se essas palavras tocarem corações que as compreendem, estarei a cultivar e difundir o Dharma.
Toda a ética moral e conduta que ouvem nas minhas aulas são fruto dos Yoga Sutras de Patanjali (Yoga Clássico), mas também de ensinamentos de Mestres e Professores… E toda a Filosofia e Princípios sobre a Realidade, a Mente e a relação do Ser Humano com o Universo baseia-se numa perspectiva Tantrayana (visão tântrica tibetana) adquirida em livros, em ensinamentos de Tulku-La e principalmente de como sinto e percepciono a Vida – como resultado de todo o meu desenvolvimento pessoal.
Tento sempre transmitir de forma simples e lógica, dando sempre que possível o meu cunho pessoal, a minha própria experiência de vida. Porque afinal, a Vida – com as suas experiências, aventuras, relacionamentos, altos e baixos – é nossa maior professora e mestre!
E mais importante, tento manter bem viva a chama que conecta professor-aluno. Pois é essa ligação que nos transforma profundamente.
E sabem porque Tulku-La e o Vinyasa Yoga mudou realmente a minha vida????
Poderão responder porque foi o Dharma mais correcto para mim… sim, é verdade! Mas não é suficiente…
Porque descobri e ainda cultivo o segredo que muda tudo e todos: primeiro, a correcta MOTIVAÇÃO e INTENÇÃO… e depois o acreditar em mim mesma.
E agora questionem-se: o que é o Dharma?
Com todo o meu amor e motivação,
Ana Taboada

Ana, obrigado pela partilha da sua experiência! Sem dúvida quaisquer ensinamentos só têm efeito quando praticados, e a teoria só serve para os praticarmos melhor!
Acumular sabedoria lida em livros nada altera a nossa vida, a verdadeira sabedoria resulta da experiência e da prática do que se diz …com intenção!
Olá Clara!
Fico feliz por concordar comigo… e dá-me entusiasmo para continuar!
Obrigada por tudo!
Com todo o meu carinho,
Ana
o coração deve falar mais que a boca e compreender mais que o cérebro sem dúvida.adorei teu artigo e me identifiquei com tuas ideias.linguagem simples,rápido,comprensível a todos.bj!
Olá Ana
Gostei muito do seu texto.
Peço-lhe só o favôr de corrigir o nome de Gagavadguitá, no 5º parágrafo, pelo nome correcto Bhagavadgita.
Estou certo que apenas se deve a erro de transcrição, dado que o B e o G estão muito próximos no teclado do computador.
Um beijinho e continuação do seu bom trabalho.
Olá Manuel!

Por acaso tinha acabado de fazer a correcção. Já me tinham alertado.
De qualquer forma, muita obrigada!
Namastê!
Ana
Ana
Estou sem palavras… O que escreveste, para além de verdadeiro e genuino, é tão nobre e tão simples que é de uma beleza rara.
Obrigada por ter cruzado contigo no meu caminho e por ter tido o previlégio de conhecer um ser tão belo como tu.
Um grande beijinho de luz
Namaste
Sónia
Oh Sonia,
Muito obrigada… nao imaginas o qto estas palavras me tocam. Sabes bem que te tenho muito em conta e que estas sempre num lugar especial do meu coracao!
Obrigada por toda a tua forca… da-me motivacao para continuar o caminho!
(desculpa nao ter acentos, mas estou em Inglaterra!)
Muitos beijos doces com muito amor,
Ana
Olá Ana
Lido assim parece tão fácil.
Obrigada pela oportunidade de nos levar com motivação e intenção na descoberta do Dharma.
Bj
Manela