A palavra mágica…

Merlin & Ana

Queridos amigos e amigas,

Neste momento estou a passar uns dias em Cornwall, Inglaterra. Além da belíssima costa – com campos verdejantes, falésias íngremes, praias pacatas e vilas encantadoras – óptima para as minhas caminhadas, é uma zona conhecida pela influência céltica e pela lenda do Rei Artur e de Merlim.

Aqui a magia anda no ar… cheira-se… sente-se!

Desde tenra idade que sempre me encantaram todas as histórias de mágicos, feiticeiras e mundos de fantasia… E foram bastantes os livros que li sobre Avalon, Merlin e o Rei Artur…

Mas o que mais me fascinava era a ideia de haver dois  mundos paralelos numa mesma realidade. A ilha de Avalon era o que restava de um tempo em que a magia fazia parte da vida de todas as pessoas.

Para aquelas pessoas que acreditavam que a magia ainda era possível, Avalon era uma ilha cheia de feiticeiras e mágicos. Mas para aqueles que isso fazia parte apenas do passado, ou mesmo, que nunca tinha existido, Avalon não passava de uma ilha com um convento com lindos campos verdejantes ao redor.

Interessante, não?!

Para mim, o mais importante não é tanto saber se a magia é verdade, mas sim tentar perceber que tudo depende do que é para nós verdade. E, assim, tentar perceber qual é a natureza da verdade.

Para a maioria de nós, a verdade é baseada em sentimentos e percepções processadas pelo nosso cérebro. Essa verdade conceptual é muito temporal, individual e limitada… muda com o tempo, com a cultura, de para pessoa para pessoa. E por isso mesmo, existem muitas verdades conceptuais para o mesmo objecto.

Em Avalon, as pessoas que não acreditavam que a magia era possível, ficavam presas à sua verdade conceptual. O convento com os seus campos verdejantes eram a sua única verdade possível.

Ao contrário, as feiticeiras e os mágicos viviam no mundo da magia. No entanto, os mais sábios sabiam da existência do outro mundo. Sabiam que dependendo da forma como se olhava a realidade, percepcionava-se o mundo da magia, onde tudo era possível, ou, caso contrário, o mundo sólido, dos conceitos, muito limitado. Era como se soubessem que tudo depende do nosso nível de consciência mental. Para eles a magia não era nada de sobrenatural, mas fazia parte das suas vidas, porque sabiam que tudo não passava de uma alteração de consciência das nossas mentes.

No entanto, se acreditarmos como sendo verdade que podemos transformar um sapo num príncipe, as consequências do nosso apego a essa verdade, certamente surgirão. O mesmo aconteceu com Avalon que acabou por desaparecer nas brumas…

Da mesma forma se observarmos o mundo que nos rodeia como a nossa única verdade, só nos poderá trazer problemas.

Assim, seja uma verdade conceptual ou a verdade última, o apego a essa verdade, trazer-nos-á outras emoções negativas e, mais tarde ou mais cedo, problemas.

Por isso, a filosofia oriental diz-nos que devemos ter consciência que o que percepcionamos com o nosso cérebro é uma ilusão, Maya, e é a nossa ignorância que não nos faz ver a verdadeira realidade.

Verdades existem quantos os seres humanos, mas realidade só uma.

Um mágico que transforma um sapo num príncipe, tal como nós, vê no final um príncipe e não o sapo. A diferença é que não cria apego a essa percepção, porque sabe que é ilusão e não é verdade.

Assim, se as nossas mentes tiverem consciência que tudo o que é produto do nosso cérebro é ilusão, não são influenciadas pelos fenómenos que nos rodeiam e, desta forma, não os percepcionamos como sendo verdade.

Queremo-nos tornar mentes livres da ilusão, livres dos conceitos. Só assim seremos mentes felizes, mentes livres!

Lembro-me em criança que me apeguei muito ao conceito do Pai Natal. E quando soube que afinal não existia, sofri um grande desgosto. Contudo, optei por continuar a simular que acreditava, mesmo sabendo que não era verdade. Fazia-me feliz pensar na sua existência, mas como já não estava apegada à ideia de ser verdade, já não me trazia qualquer sofrimento. E quando ouvia alguém dizer “como é possível que ainda acredites no Pai Natal???!!! Ah, ah, ah”, só pensava no quanto me fazia feliz pensar que acreditava, mesmo sabendo que não era verdade. E isso era suficiente para me considerar uma sortuda relativamente a quem fazia troça de mim.

O problema não é de facto acreditar no Pai Natal, mas sim acreditar nesse conceito. Achar que isso é uma verdade.

São essas verdades que trazem discórdias, guerras, conflitos… e só ganha quem tem melhor argumento, quem tem mais poder ou mais fama.

Só fora da verdade conceptual, dos conceitos, é que seremos livres do apego. Não só livres do autoapego, como do apego a tudo o que nos rodeia… seremos mentes livres… veremos a realidade tal como ela é, deixando tudo tal como está… tudo é mágico, tudo é belo!

A verdade ultima não tem limites, não tem fronteiras… como diz Tulku Lobsang “tudo é possível e tudo pode acontecer. Mas ao mesmo tempo, nada é possível e nada acontece”.

O objectivo das nossas vidas é reduzir a verdade conceptual, os conceitos. Só assim nos sentimos livres. O amor é uma das formas. Por isso, o amor é mágico! Tem o poder de transformar as nossas vidas, de as tornar mais simples, com menos sofrimento e menos problemas. Tudo porque quando amamos sem apego – o amor absoluto – todos os conceitos se reduzem, tornam-se menos fortes e podem mesmo chegar a desaparecer. Deixo de ser Eu e Tu. Deixo de ter apego ao meu e ao teu. Apenas somos Amor! Felizes e livres! E assim somos loucos… porque a “loucura é sabedoria” (Tulku Lobsang)!

Sim, o amor puro é essa palavra mágica…

Como todo o meu amor,

Ana Taboada

6 pensamentos em “A palavra mágica…

  1. Olá Ana!
    Adorei ler a palavra mágica! Descreveste na perfeição o que é estar preso a conceitos, os equívocos e o vazio que daí resultam e adorei que partilhasses um bocadinho dos ensinamentos que recebes do teu Mestre muito, muito sábio!
    Apesar de ainda não nos conhecermos (conto que esteja para breve) envio-te um grande beijinho pleno de Energia!
    Até breve!

    ***Maggie***

    • Olá Maggie! :-)

      Ainda bem que gostaste da “palavra mágica”! Certamente tens sabedoria para a compreender… Obrigada!
      É muito graticante e motivante para mim saber que inspiro outros corações!

      Sim, até breve! :-)

      Bjs doces,
      Ana

  2. Olá Caríssima Amiga… contente fico por saber de tão bonita viagem. De facto deve ser linda essa região… verdejante, inspiradora. E inspiradoras são tuas palavras. Adorei a tua “palavra mágica”!
    Um grande abraço

    Joaquim

  3. Olá Joaquim! :-)

    Que bom “ouvir-te” e saber que as minhas palavras te inspiram… isso dá-me força e motivação para continuar a jornada!
    Tenho a certeza que a “palavra mágica” te tocou, porque tens um coração que a compreende.
    Bjs doces,

    Ana

  4. Olá, Ana,

    Só a conheço verdadeiramente desde ontem, quando visitei o seu site. Adorei tudo o que li, vi e ouvi (Youtube) e sou mais uma dos que foram tocados pelas suas palavras mágicas e pelo seu exemplo de coragem e total “desapego”. Eu sou alguém que tem andado perdido entre dois mundos e precisa de regressar a casa com urgência sob pena de já não ir a tempo. Temos duas amigas comuns, a Jutta e a Sofia Lima. Em breve a visitarei no estúdio. Vou marcar uma aula consigo. Abraço, Ana Maria Pimentel

    • Olá Ana! :-)

      Antes de mais, obrigada pelas suas palavras. É sempre muito gratificante vermos o nosso trabalho reconhecido.

      Esteja à vontade, marque uma aula no estúdio quando achar melhor e puder. Naquilo que puder ajudar, darei o meu melhor! :-)

      Tudo de bom!

      Bjs doces,
      Ana

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