Como encontrar estabilidade…

"Do or Do not. There is no try." Yoda

Caros amigos e amigas desta jornada,

Fez este fim-de-semana uma semana que estive em trabalho na Serra da Estrela. Fui fazer um concerto de Taças Tibetanas & Gongos a um pequeno, mas muito simpático, grupo de empresários que aproveitou o fim-de-semana para se reunir em trabalho, na calma e beleza destas montanhas. O concerto foi domingo de manhã no meio da natureza e, apesar de ter sido algo novo e inédito para a maioria, foi muito bem recebido. Melhor será dizer que ficaram rendidos a estes sons tão encantadores e relaxantes.

Após ter falado um pouco sobre os instrumentos e a terapia de som, foi me pedido para falar um pouco sobre mim e, principalmente, da minha “coragem” de há 3 anos, ao ter desistido de um emprego estável para dedicar-me apenas às minhas paixões… Claro que, para quem me conhece, sabe que não tive qualquer dificuldade em falar sobre o que essa decisão representou e o que ainda significa na minha vida… e mais importante, comecei a extrapolar para a Vida em geral e a enquadrar tudo isso dentro da filosofia oriental. E lá veio o tema da Felicidade que eu gosto tanto de falar… e não será este o principal tema nas nossas vidas?!

A verdade é que foi uma conversa, sim, conversa, pois não fui só eu que falei… felizmente, todos eles estavam muito entusiasmados em dar a sua opinião e em aprofundar esta matéria.

Entretanto, houve um deles que disse mais ou menos isto: “sim, ficamos adultos e pensamos que já sabemos tudo… e que temos tudo controlado… e quando vemos que não temos, lutamos desenfreadamente para que passe a estar e sofremos muito”. Claro que aproveitei estas palavras não só para concordar, como também para ir um pouco mais fundo: “será que algo externo a nós pode mesmo ser controlado?”… “não será essa procura incessante pela estabilidade, que nos faz não viver a vida em toda a sua plenitude?”… “não será que a felicidade não é algo que se obtém exteriormente, mas sim que vive dentro de nós?”… “não será que o que é realmente importante, é a nossa atitude perante a impermanência da vida?”… “não será que levamos a vida demasiado a sério?”.

Falei de um estudo muito recente que foi feito para tentar compreender quais seriam os factores que contribuem para a felicidade do ser humano. Chamado The Happy Planet Index. A conclusão a que chegaram é que o factor principal são as nossas experiências, as nossas vivências e nunca os bens materiais… Foram nomeados estes 5 factores: 1- Ligações afectivas (amor); 2 – Ser activo (movermo-nos, saltarmos, dançarmos); 3 – Mindfulness (estarmos atentos ao momento presente, a todas as nossa acções); 4 – continuar a aprender (continuarmos curiosos); 5 – Dar (generosidade, altruísmo, compaixão).

A verdade é que a felicidade pela posse é extremamente temporária, enquanto que as recordações das nossas vivências ficam para sempre, ninguém as pode tirar. Penso que as pessoas deviam investir mais em viajar, em conhecer outras culturas e mentalidades, em apostar mais na arte e cultura, no bem-estar… e nunca se esquecerem de apostar nos afectos: na nossa capacidade de nos relacionarmos com as pessoas, seja família, amigos, conhecidos ou alguém que nunca tenhamos visto. Começar a desenvolver a capacidade de nos ligarmos a essas pessoas – sem apego, sem perdermos o nosso centro – da mesma forma, com a mesma intensidade. Essa capacidade automaticamente desenvolve-nos a nossa emotividade: a nossa capacidade de nos relacionarmos com as nossas emoções, connosco mesmos.

O tempo passou e eles tiveram de voltar às suas obrigações, ficando a promessa de voltar-se a repetir esta experiência…

Uma vez que ainda era hora de almoço, eu e o meu companheiro, aproveitamos a tarde para dar uma caminhada e conhecer um pouco mais o Parque Nacional da Serra da Estrela. Sem sabermos, a caminhada que tínhamos escolhido começava exactamente no local onde tinha sido o concerto. Mas, só depois, apercebemo-nos que não estava marcada e que só era possível com a ajuda de um GPS. Como não tínhamos feito o download das coordenadas do percurso, não tínhamos forma de recorrer a esta preciosa ajuda. Assim, decidimos arriscar seguindo o percurso que nos parecesse mais usado, tendo sempre em conta que o nosso GPS ia gravando o percurso que fazíamos. Por isso, em ultimo recurso voltaríamos para trás sem nos perdermos.

Depois de uma subida íngreme chegámos ao vale do glaciar. Já por isto valeu a pena! Mas constatámos que já não estávamos no percurso que queríamos fazer inicialmente.  A caminhada tinha começado à cerca de 1hora, por isso, voltar para trás estava fora de questão. Então decidimos contornar a montanha e começar a descer o canyon formado pelo rio Zêzere. Arriscamos e, posso dizer, que valeu a pena!

Não é fácil descer rochas íngremes, vencer o medo das alturas, aceitar o desconhecido…. demorámos 2h30min a descer apenas pouco mais que 1 Km… e como fiquei cansada!!! Houve momentos que pensei que teríamos de voltar para trás pois aparentemente parecia não haver alternativa de caminho seguro: a queda seria muito grande!  Não tenho quaisquer conhecimentos de escalada e muito menos tínhamos equipamento técnico… por isso devo dizer que para mim já foi uma grande aventura! Mas após aquela conversa da manhã, sentia-me pronta para qualquer desafio… ou as minhas palavras seriam só folhas ao vento!

A vida é um desafio! Por isso temos de vencer os nossos medos e confiar em nós próprios… Isso não quer dizer que não tenhamos de ser responsáveis. Ser responsável implica assumir sempre as consequências das nossas escolhas, das nossas decisões. A vida implica viver em plenitude e com total responsabilidade. Mas o nosso problema é que estamos sempre à procura da estabilidade… pensamos que a responsabilidade é sinónimo de estabilidade e de levar tudo muito a sério. Assim, ficar adulto passa a ser sinónimo de pesado, triste… de alguém que carrega o mundo às costas…

…em vez de ser aquele que assume com ainda mais consciência e coragem as consequências e responsabilidades de todas as suas escolhas, mas mantém-se uma pessoa leve, alegre e divertida…

Ser adulto não é matar a nossa criança interior, mas sim transformá-la numa criança mais sábia, com mais expressividade, com mais coragem e determinação. Só assim podemos viver a vida com mais alegria e graciosidade… só assim poderemos ser mais livres e poderemos expressar – sem resistências e apego -  o que somos: Felicidade!

No estudo que referi anteriormente, o país que foi considerado o mais feliz foi Costa Rica. Em 1949 deixou de investir nas forças militares e passou apostar numa melhor educação, num ambiente sustentável, na arte e cultura, no bem estar das pessoas…  Podem ver a apresentação desse estudo aqui.

Em vez de estarmos constantemente a tentar mudar o que nos rodeia e procurar ter controlo sobre tudo, que tal passarmos a investir mais na nossa educação espiritual? Em tentarmos controlar os produtos indesejáveis da nossa mente: medos, dúvidas, inseguranças, etc… em começar a controlar os nossos pensamentos?

Como encontrar estabilidade num ambiente instável? A resposta é simples: é apenas não procurar a estabilidade… porque na verdade a estabilidade já é a nossa verdadeira natureza… já é o que somos. Procurar externamente a estabilidade, é atrair mais problemas!

Lembrem-se, o segredo é não procurar estabilidade! É isso nos dá a capacidade de adaptação à impermanência da vida…

Não é o mais forte da espécie que sobrevive, nem o mais inteligente; é o que melhor se adapta à mudança.

-       Charles Darwin

Com toda a minha dedicação e  entusiasmo,

Ana Taboada

2 pensamentos em “Como encontrar estabilidade…

    • Olá Filomena! :-)

      Todos nós temos uma sabedoria imensa… as respostas estão todas dentro de nós. Com as minhas palavras apenas tento recordar toda essa sabedoria! :-)

      Muitos bjs doces,
      Ana

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