O que é o Amor?

 

Amar é dançar ao sabor da música da Vida!

Caros amigos e amigas,

Está inerente à humanidade a necessidade de dar e receber amor… todos procuramos sermos amados e amar. Mas saberemos nós amar? Saberemos dar amor? E receber? Saberemos o que é de facto o amor e amar?

Coloquem-se esta questão: o que é o amor?

Será paixão? Será Eros (o amor sexual e romântico)? Será dar e receber? Será sentir-se uno com o ser amado? Será devoção? É uma emoção ou um sentimento? O que é então?

Poderia fazer um poema acerca do amor. Expressar em palavras, emoções que todos nós, em algum momento já sentimos, pelo nosso amado num momento especial, pelo nosso filho, pelos nossos pais… mas, mesmo que fosse o mais belo poema, não correríamos o risco de no final ficarmos apenas com uma vaga noção do que é realmente o amor? No meu entender esse não é o melhor método de analisar a fundo o significado de amar, pois o que expressariam essas palavras poderiam ser meras emoções abstractas… e o que sentiríamos ao lê-lo poderiam ser meras emoções subjectivas… e não será o amor muito mais que uma emoção?!

Devemos compreender que a palavra amor poderá ser entendida e vivida em 3 formas diferentes:

-       O amor individual:

Este é um amor muito pequeno, baseado no ego, no apego ao “eu”. Esta combinação só pode originar sofrimento. Este amor, mais tarde ou mais cedo, só pode gerar sofrimento. Porquê?

Porque projectamos nas outras pessoas e coisas os sentimentos de amor que vêm de dentro de nós.

Todos nós já vivemos um momento de amor incondicional, essa experiência de ternura e êxtase que não tem fronteiras… quando nos apaixonamos, quando um filho nasce, quando ouvimos uma musica que nos faz arrepiar, quando admiramos a beleza de uma paisagem magnifica, etc, etc, etc… e o que acontece depois? Projectamos todo esse sentimento de amor no exterior: “foi a Joana ou o João”, “foi o meu filho”, “foi a música”, “foi a paisagem”… e depois expressamos esse amor e dizemos “amo-te”, “amo esta música”, etc… isto é amor? Sim, claro que sim, mas muito limitado, incompleto e específico. A nossa mente com os seus pensamentos começa a dar-lhe muitas qualidades: grande, pequeno, amor de mãe, amor romântico, amor pela natureza, amor sexual, etc… Os nossos sentidos e o nosso ego levam-nos a pensar que esse amor vem de fora de nós. Leva-nos a distinguir diferentes tipos de amor por diferentes pessoas e coisas. É essa ilusão de separação e individualidade que nos leva ao sofrimento… porque tudo é impermanente e um dia esse factor externo que amamos desaparece ou muda ou simplesmente deixa de ser atractivo, isto porque a mudança é a natureza da existência.

Tulku Lobsang diz de forma sábia e poética: a Vida é um fluxo. A mudança é a música da Vida. Precisamos de dançar, seja qual for a música que a nossa Vida nos dê. Eu acrescento: Amar é dançar ao sabor da música da Vida! :-)

Mas o nosso problema não fica só por aqui, pois não só geramos um amor com apego, como também não sabemos dar e não sabemos receber esse amor. Tulku Lobsang diz que o significado mais comum de dizer “amo-te” é, na verdade, “quero-te”. O que significa “ter-te”. E quando recebemos amor, esperamos que essa pessoa faça tudo por nós e pela nossa felicidade. No momento em que um lado não concorda ou não faz o que pretendemos, há imediatamente a tendência para o outro lado pensar: “se me amasses concordarias comigo ou farias o que te peço”. E o outro pensa o mesmo. Este amor é apenas baseado no apego ao ego. Este apego ao ego leva-nos a ver as coisas apenas na nossa perspectiva, no nosso ponto de vista.

Um amor platónico é um amor com um forte apego. Não será que em vez de “eu amo-te”, queremos dizer “eu amo-me”?

Assim, quanto mais forte for a identificação com o “eu”, mais o amor é baseado no apego. Tulku Lobsang chama-lhe “amor venenoso”, porque cria veneno na mente das pessoas envolvidas.

Muitas vezes o nosso amor é governado por estas emoções negativas.

Assim, o amor que normalmente experienciamos é vulnerável a humores, a perda e mudança, a apegos e aversões.

-       O Amor Absoluto

Este amor com A maiúsculo é um amor que nos traz felicidade. É aquele que sentimos quando, não importa o que a outra pessoa faça, sempre a veremos como uma pessoa adorável e esse sentimento traz-nos sempre felicidade. Esse amor está na nossa mente. É a verdadeira natureza da mente. Expressá-lo gera sempre uma grande felicidade.

Este amor é a fonte de toda a existência. Podemos experienciar este amor quando nos sentimos inseparáveis da existência universal. É um amor unificador. Ele não foi sujeito ao filtro do ego, dos pensamentos e da ilusão.

Swami Maytreyananda, costuma dizer que “desta vida só se leva ananda”. Ananda significa felicidade, alegria de viver. A felicidade é o que recebemos em troca de vivermos e partilharmos esse amor sem apego. É uma sensação de bem-estar permanente, sem interrupção.

A natureza desse amor é a beleza. Sem amor, não somos capazes de reconhecer alguém ou algo belo. Essa beleza é o espelho do nosso estado mental. Reconhecemos a beleza que nos rodeia, porque amamos e ao amar, estamos a reconhecer o que somos: amor! Por isso, para tornar o mundo belo, basta amar! Essa é a linguagem da Natureza e deveria ser a nossa linguagem.

Não é dar, nem receber… é simplesmente sermos amor.

-       A compaixão: o amor na prática

Como a nossa mente está sempre a poluir o nosso amor inato, temos de o cultivar constantemente. Nós seres humanos, somos muito especiais, pois temos a capacidade de expandir e expressar o amor de muitas formas, de amar com toda a plenitude. E amar na prática, como sadhana, é a melhor medicina para cortar o nosso ego, os venenos da mente.

Estamos constantemente a fazer crescer o nosso ego, mesmo quando achamos que já “somos seres espirituais”. Como já vimos, na maioria das vezes, até o nosso amor só faz aumentar o nosso apego ao ego.

Por isso, é fundamental praticarmos um amor que cria uma atmosfera de bondade à nossa volta.

O desejo de ver os outros seres felizes é a compaixão. Esta prática deve ser cultivada, desde o nível mais mental com o treino da mente – com meditações da compaixão – até ao nível mais prático – com acções. Podemos nem sempre sentir gratidão, mas podemos lembrarmo-nos de dizer “obrigada” naquele momento mais oportuno; podemos nem sempre gostar de alguém, mas podemos tentar gerar compaixão e tentar ajudar essa pessoa quando ela mais precisa; podemos não nos sentirmos bem connosco próprios, mas podemos parar um momento e tentarmos gerar mais compreensão e amor próprio quando exigimos de nós mais que as nossas capacidades e limitações. Aqui, mais que sentir, é praticar o amor. A compaixão é a forma mais fácil de chegarmos a sentir o amor incondicional.

Mesmo quando tudo o que nos rodeia é cinzento, é esforçarmos por vermos beleza… usarmos a nossa imaginação nesse sentido, é o melhor treino mental. É a forma de deitar fora todos os filtros mentais que nos impedem de poder sentir o Amor Absoluto.

Será esse treino pura hipocrisia? Não creio, se tivermos como objectivo a eliminação de todos os venenos que poluem o verdadeiro amor. Com este treino mental não acrescentamos nada de novo, apenas eliminamos o que não nos pertence!

A meta da nossa Vida é a Felicidade Absoluta. A única maneira de a alcançar é a amar.

O que é o Amor?

O amor corta o nosso ego, porque o amor não pensa. O amor é o sentido da vida, porque o amor é a Vida. O amor não tem fronteiras, porque o amor é liberdade. O amor é loucura, porque o amor não julga. O amor não tem qualidade, não tem quantidade… No dia em que amarmos verdadeiramente, amamos TUDO. Nesse dia não damos e nem recebemos: simplesmente SOMOS AMOR!

Este é o meu poema sobre o amor…

Com todo o meu amor,

Ana Taboada

2 pensamentos em “O que é o Amor?

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